Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa no bairro Casseque, município de
Huambo
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Introdução
As águas residuais resultam do uso da água para diferentes fins e, como
consequência, acumulam materiais suspensos e dissolvidos que alteram suas
propriedades. Conforme o tipo de utilização, essas águas apresentam características
diversas, havendo grande distinção entre as residuais urbanas ou domésticas provenientes
do uso residencial da água e as industriais, geradas em instalações fabris (Vidoeira, 2019;
Ramos & Nina, 2018).
Manuel et al. (2018) destacam que a principal causa de contaminação dessas águas
está relacionada tanto à ação natural quanto à antropogénica, causada principalmente pelo
lançamento direto de águas residuais domésticas, contendo microrganismos patogénicos,
poluentes orgânicos e nutrientes, e de águas residuais industriais, que podem conter
poluentes inorgânicos e orgânicos, muitas vezes sem tratamento adequado. Também as
águas de drenagem agrícola contribuem para a poluição, ao transportarem fertilizantes e
material em suspensão.
As águas residuais industriais apresentam grande diversidade: a contaminação
pode variar desde poluição física, como a térmica causada pela água de resfriamento, até
poluição bioquímica complexa, proveniente de efluentes farmacêuticos ou químicos.
Independentemente da origem, essas águas representam uma ameaça ambiental, pois
alteram as características naturais dos ecossistemas onde são lançadas (Gomes, 2022).
A gravidade dessa ameaça depende da composição e da quantidade do efluente,
sendo essencial conhecer suas propriedades antes de definir o método de tratamento. No
caso das lagoas de estabilização, as águas residuais são geralmente urbanas. Essas lagoas
são estruturas construídas para tratar efluentes por meio da interação entre bactérias e
algas, que promovem a decomposição biológica da matéria orgânica e a remoção de
patógenos, DBO e sólidos suspensos (De Oliveira, 2022).
O uso de lagoas de oxidação é comum em países tropicais e subtropicais,
incluindo Angola, baseando-se em processos naturais de autopurificação, ao contrário das
lagoas arejadas que utilizam aeração artificial (Vianna, 2020). Em Angola, o emprego das
lagoas de estabilização é generalizado, pois grande parte das águas residuais domésticas
e pluviais é lançada em rios e córregos, gerando impactos ambientais e sociais (Kinga et
al., 2023).
No município do Huambo, apesar da existência de um sistema de saneamento
básico administrado pela Envirobac, Resurb e Serviços Comunitários da Administração
Municipal, os esforços permanecem insuficientes (Ferrinho et al., 2020). O bairro
Casseque é um dos mais afetados, apresentando ausência de tratamento adequado das
águas residuais, lançamento de urina e fezes sem tratamento e condições favoráveis ao
desenvolvimento de vetores e doenças.
Diante desse contexto, define-se como objetivo geral: realizar o desenho
hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa para reduzir os impactos ambientais
no bairro Casseque, município do Huambo.