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Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização
facultativa no bairro Casseque, município de
Huambo
Hydraulic design of a facultative stabilization pond in the
Casseque neighborhood, Huambo municipality
Rider Riveras Hernández
Universidade José Eduardo Dos Santos, Instituto Politécnico do Huambo,
Angola e Universidade de Ciego de Ávila, Cuba
riderrh83@gmail.com
Joaquim muluta Ulica Cambanda
Universidade José Eduardo Dos Santos, Instituto Politécnico do Huambo,
Angola
mulutaipujes@gmail.com
Maiquel López Silva
Universidade Católica Sedes Sapientiae, Perú
mlopezs@ucss.edu.pe
Recibido: 15/11/2025
Aceptado: 15/12/2025
Publicado: 30/12/2025
Citación/como citar este artículo: Riveras-Hernández., R. , Ulica-Cambanda C., J, & López-
Silva, M. (2023). Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa no bairro
Casseque, município de Huambo. Ásstery Journal, 1(5), 50-69.
Ásstery Journal Vol. 1 Num.1
pp. 50-69
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Resumo
Se desenvolveu um projeto hidráulico para uma lagoa de estabilização no bairro Casseque no
município Huambo, com o objetivo de tratar águas residuais domésticas. A metodologia incluiu
a caracterização das águas residuais e o projeto baseado no método de GLOYNA, considerando
variáveis hidráulicas e térmicas. Os resultados mostraram que as águas residuais eram fracas, com
um fluxo máximo de 1867,104 /d. A lagoa, composta por 8 registros e um volume de 4377 m³,
ocupa 1,6 ha e tem um tempo de retenção de 90 dias, alcançando uma eficiência de 97% na
remoção de DBO. Foi determinado que a lagoa facultativa é a mais adequada, operando com uma
eficiência de 95% e uma profundidade de 2,0 m.
Palavras chaves: lagoa estabilização, método Gloyna, DBO.
Abstract
A hydraulic project was developed for a stabilization lagoon in the Casseque neighborhood of
Huambo municipality, aimed at treating domestic wastewater. The methodology included the
characterization of wastewater and the design based on the GLOYNA method, considering
hydraulic and thermal variables. Results showed that the wastewater was weak, with a maximum
flow of 1867.104 m³/d. The lagoon, composed of 8 registers and a volume of 4377 m³, occupies
1.6 ha and has a retention time of 90 days, achieving a 97% efficiency in BOD removal. It was
determined that the facultative lagoon is the most suitable, operating with a 95% efficiency and a
depth of 2.0 m.
Keywords: Stabilization pond, Gloyna method, BOD.
Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa no bairro Casseque, município de
Huambo
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Introdução
As águas residuais resultam do uso da água para diferentes fins e, como
consequência, acumulam materiais suspensos e dissolvidos que alteram suas
propriedades. Conforme o tipo de utilização, essas águas apresentam características
diversas, havendo grande distinção entre as residuais urbanas ou domésticas provenientes
do uso residencial da água e as industriais, geradas em instalações fabris (Vidoeira, 2019;
Ramos & Nina, 2018).
Manuel et al. (2018) destacam que a principal causa de contaminação dessas águas
está relacionada tanto à ação natural quanto à antropogénica, causada principalmente pelo
lançamento direto de águas residuais domésticas, contendo microrganismos patogénicos,
poluentes orgânicos e nutrientes, e de águas residuais industriais, que podem conter
poluentes inorgânicos e orgânicos, muitas vezes sem tratamento adequado. Também as
águas de drenagem agrícola contribuem para a poluição, ao transportarem fertilizantes e
material em suspensão.
As águas residuais industriais apresentam grande diversidade: a contaminação
pode variar desde poluição física, como a térmica causada pela água de resfriamento, até
poluição bioquímica complexa, proveniente de efluentes farmacêuticos ou químicos.
Independentemente da origem, essas águas representam uma ameaça ambiental, pois
alteram as características naturais dos ecossistemas onde são lançadas (Gomes, 2022).
A gravidade dessa ameaça depende da composição e da quantidade do efluente,
sendo essencial conhecer suas propriedades antes de definir o método de tratamento. No
caso das lagoas de estabilização, as águas residuais são geralmente urbanas. Essas lagoas
são estruturas construídas para tratar efluentes por meio da interação entre bactérias e
algas, que promovem a decomposição biológica da matéria orgânica e a remoção de
patógenos, DBO e sólidos suspensos (De Oliveira, 2022).
O uso de lagoas de oxidação é comum em países tropicais e subtropicais,
incluindo Angola, baseando-se em processos naturais de autopurificação, ao contrário das
lagoas arejadas que utilizam aeração artificial (Vianna, 2020). Em Angola, o emprego das
lagoas de estabilização é generalizado, pois grande parte das águas residuais domésticas
e pluviais é lançada em rios e córregos, gerando impactos ambientais e sociais (Kinga et
al., 2023).
No município do Huambo, apesar da existência de um sistema de saneamento
básico administrado pela Envirobac, Resurb e Serviços Comunitários da Administração
Municipal, os esforços permanecem insuficientes (Ferrinho et al., 2020). O bairro
Casseque é um dos mais afetados, apresentando ausência de tratamento adequado das
águas residuais, lançamento de urina e fezes sem tratamento e condições favoráveis ao
desenvolvimento de vetores e doenças.
Diante desse contexto, define-se como objetivo geral: realizar o desenho
hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa para reduzir os impactos ambientais
no bairro Casseque, município do Huambo.
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Material e métodos
Localização geográfica
A comunidade de Casseque localiza-se no município do Huambo, na província do
mesmo nome, em Angola. Está localizado a uma altitude aproximada de 1.686 metros
acima do nível do mar e está localizado próximo a outros bairros como Cassenda. As
coordenadas geográficas de Casseque são aproximadamente 12°47'16" S e 15°38'57" E
Figura 1. Localização do Bairro Casseque
Relevo
O relevo nesta área é caracterizado por uma topografia predominantemente
montanhosa e acidentada, típica da região do Planalto Central de Angola. A área apresenta
altitudes que variam entre 1.700 e 2.500 metros, com colinas e vales que formam uma
paisagem diversificada e rica em recursos hídricos. Os rios que cortam a região são
fundamentais para a agricultura local, proporcionando irrigação e sustento às
comunidades (Development Workshop Angola, n.d.; Lucamba, 2023).
Além disso, o solo fértil e as condições climáticas favoráveis contribuem para a
prática da agricultura, com destaque para culturas como café e milho. O relevo acidentado
também influencia o clima da região, resultando em chuvas mais abundantes em
comparação com outras partes do país. Essa configuração geográfica não só molda a
paisagem local, mas também desempenha um papel crucial na biodiversidade local e na
conservação ambiental (Lucamba, 2023; Meira, 2020).
Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa no bairro Casseque, município de
Huambo
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Caracterização de águas residuais
Foi realizada uma amostragem das águas residuais e estas foram submetidas a
exames de laboratório com o propósito de identificar e quantificar as suas características
físicas, químicas e biológicas. Dado o elevado custo que atualmente estas análises
apresentam, este aspeto constitui uma grande importância; visto que, através da avaliação
físico-química e microbiológica da água, foram obtidos dados sobre a qualidade da água.
Recomenda-se aplicar uma avaliação de nível básico, que deverá considerar como
mínimo os níveis de turbidez, pH, cloro residual (total, combinado, livre), coliformes
totais e coliformes termotolerantes.
Na Tabela 1, aparecem os métodos analíticos empregados. Cada um dos
resultados que este relatório contém estão relacionados com os itens testados segundo o
Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, SMWW 1998, 20th
Edition. E a NC 1095:2015 Norma cubana: Microbiologia da água. Detecção e
enumeração de coliformes. Técnica do número mais provável (NMP).
Tabela 1. Métodos analíticos de ensaio
Ensaio
Nome
Documentação
Método
CE
Condutividade
eléctrica
PA02 Procedimento analítico
para o ensaio de Condutividade
eléctrica.
Método
Conductimétrico
*PT
Fósforo total
SMWW 4500-P B
Método
Colorimétrico
*SS
Sólidos sedimentáveis
SMWW 2540-F
Método do Cone
Imhoff
*DQO
Demanda química de
oxigeno
PA11 Procedimento analítico
para o ensaio de DQO.
Método autoclave com
Dicromato de Potássio
*DBO5
Demanda bioquímica
de oxigeno
PA12 Procedimento analítico
para o ensaio de DBO5.
Teste dos 5 dias a 20ºC
*CTT
Coliformes termo
tolerantes
PA21 Procedimento analítico
para o ensaio de CT y CTT.
Número más
provável
*CT
Coliformes totais
PA21 Procedimento analítico
para o ensaio de CT y CTT.
Número más
provável
Desenho da lagoa de estabilização pelo método de GLOYNA
Vazão de entrada
Q = (P · APS) / 1000
Onde: Q: Vazão de entrada. (m³/dia)
: Aporte Sanitário. (L/hab/dia)
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Carga Orgânica
Corg = (P · DBO5) / 1000
Onde: : Carga orgânica. (Kg/dia)
P: População. (hab)
5: Aporte per capita. (g/hab/dia)
DBO5 do Influente
DBO5[lo] = (DBO5 / APS) · 1000
Onde: 5(): 5 do Influente (mg/l)
5: Aporte Per Capita. (g/hab/dia)
: Aporte Sanitario. (L/hab/dia)
DBO5 Última
DBO5[lu] = DBO5[lo] / (1 - 2.718281828^ (-5*0.39))
Onde: DBO5[lu]: 5 última (mg/l)
DBO5[lo]: 5 do Influente (mg/l)
Volume da lagoa
V = 3.5 · 10^(-5) · P · APS · DBO5[lu] ·10^(35-Tm)
Onde: V: Volume da lagoa (m³)
P: População. (hab)
: Aporte Sanitário. (L/hab/dia)
DBO5[lu]: 5 última (mg/l)
: Temperatura média. (°C)
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Huambo
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Adotando uma Prof. (h)
A Profundidade da água (h) varia entre 1.5 a 2.5 m.
Área Superficial da Lagoa (As)
As = V / h
Onde: As: Área Superficial da Lagoa (m²)
V: Volume da lagoa (m³)
h: é a Profundidade da água adotada (m)
As = (V / h) / 10000 (ha) para a conversão.
Carga Orgânica Superficial
A Carga Orgânica aplicada às lagoas facultativas deve estar entre 50 e 350 kg de
5/ha/dia.
Corg() = Corg / As
Onde: Corg(): Carga Orgânica Superficial (kg/ha/dia)
org: Carga Orgânica. (Kg/dia)
As: Área Superficial Laguna (m2)
Tempo de Retenção
Para a remoção de parasitas se requer um tempo de retenção de 20 dias ou mais
entre o tratamento primário e o secundário, no caso que seja se R < 20 dias, então
redimensionar o volume da lagoa.
Tr = V / Q
Onde: : Tempo de Retenção da lagoa. (dia)
V: Volume da lagoa (m³)
Q: Caudal de entrada. (m³/dia)
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Largura do Fundo (Af)
󰇛󰇜
Onde: Af : Largura do Fundo (m)
V : Volume da lagoa (m³)
h : Profundidade da água adotada (m)
Aporte Sanitário
APS = 0.8 · 
Onde: Aps : Aporte Sanitário L/hab/dia
Dot : Dotação:
Dimensões Construtivas
Redimensionamento do fundo
Largura de fundo adotada ( ()).
Comprimento do Fundo (Lf).
Fluxo disperso: Quando disponibilidade do terreno: relação entre
comprimento/largura: l/a = 3/2.
Fluxo a pistão: Quando disponibilidade reduzida do terreno: relação
comprimento/largura: l/a = 3/1 a 4/1

󰇛󰇜
Onde: lf: comprimento do fundo. (m)
A() : largura de fundo adotada. (m)
Área sup. do fundo (Asf)
 = A() · lf
Onde: : Área Sup. Do Fundo. (m2)
A() : largura de fundo adotada. (m)
lf: comprimento do fundo. (m)
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Volume da lagoa. ()
Onde: VR: Volume da lagoa recalculado. (m³)
: Área Sup. Do Fundo. (m²)
Aespelho: área do espelho da lagoa que se calcula (ao nível da água).
h: altura da água
Tempo de retenção (Recalculado)
Onde: TRR: Tempo de Retenção (Recalculado). (dias)
VR: Volume da lagoa recalculado. (m³)
Q: Vazão de entrada. (m³/dia)
Ao nível da água
Largura
a = A() + (2 . . )
Onde:a: largura (m)
A(): largura de fundo que se adota. (m)
h: altura da água onde a altura de água é igual à profundidade adotada. (m)
m: Pendente do talude interior.
Comprimento
l = A() + (2 . . )
Onde: l: comprimento (m)
A(): largura de fundo que se adota. (m)
h: altura da água. (m)
m: Pendente do talude interior
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Altura da água
Onde a altura vai ser igual à profundidade adotada.
Pendente do talude interior
Para facilidades da construção e perfilados dos taludes recomenda-se que: m ≥ 3.
Área do Espelho de Água
Aespelho = a . l
Onde: Aespelho: área do espelho da lagoa. (m²)
a: largura (m)
l: comprimento da lagoa. (m)
Área do Terreno
Borda Livre (BL).
Bordo livre sobre o Nível da água valor entre 0.7 e 1.0 m.
Altura Total ()
HT = ℎ + 
Onde: HT: Altura total. (m)
h: Altura da água. (m)
BL: Bordo livre. (m)
Pendente do talude exterior (m1)
Está recomendada entre 1:2.
Largura do Aterro
A terrapleno é de 3 a 4 m
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Altura do Aterro
H terrapleno é de 3 a 4 m
Distância do aterro à cerca
Espaço livre de 5 e 10 m entre o pé do aterro exterior e o da cerca. DT
Largura total
AT = A () + (2 . m . HT) + (2 . Aterrapleno) + (2 . m1 . Hterrapleno) + (2 . DT)
Onde: AT: Largura total. (m)
A(): largura de fundo que se adota. (m)
m: Pendente do talude interior
HT: altura total. (m)
Aterrapleno: Largura do aterro. (m)
Hterrapleno: Altura do aterro. (m)
m1: Pendente do talude exterior
DT: Distância do Aterro à cerca. (m)
Comprimento Total
LT = LF + (2 . m . HT) + (2 . A terrapleno) + (2 . m1 . H terrapleno) + (2 . DT)
Onde: LT: Comprimento total. (m)
lf: comprimento do fundo. (m)
m: Pendente do talude interior
HT: altura total. (m)
A terrapleno: Largura do aterro. (m)
H terrapleno: Altura do aterro. (m)
m1: Pendente do talude exterior
DT: Distância do Aterro à cerca. (m)
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Área Total
Á = (AT . LT) / 10000
Onde: Á: área total. (Ha)
AT: Largura total. (m)
LT: Comprimento total. (m)
Comportamento hidráulico
DBO5 do efluente (Lp)
Onde: DBO5[lp]: DBO5 do efluente. (mg/l)
DBO5[lo]: 5 do Influente (mg/l)
KT: Cte. de Degradação
TRR: Tempo de Retenção (Recalculado). (dias)
Onde a concentração da DBO5 do efluente ≤20 mg DBO/1
Constante de Degradação (Kt)
Onde: Kt: Concentração de degradação. dia-1
Tm: Temperatura média.
Eficiência em Remoção de DBO5 (ɧ)
DBO5(ɧ) = (DBO5(lo) DBO5(lp)) / DBO5(lo)
Onde: DBO5(ɧ): Eficiência em remoção. (%)
DBO5[lo]: 5 Do Influente (mg/l)
A eficiência esperada é entre 85% e 95% se não é incorreto o dimensionamento.
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Balanço Hídrico
Precipitação (Qprec)
Onde: Q(prec): Precipitação. (m³/dia)
A(): Largura de fundo que se adota. (m)
: Comprimento do fundo. (m)
: Precipitação média. (mm/ano)
Perdas por Percolação (Qper)
Onde: Q(per): Perdas por percolação (m³/dia)
P(): Permeabilidade do terreno
h(): Profundidade ao NF. (m)
L(): Distância ao NF. (m)
Evaporação (Qevap)
Onde: evap: A evaporação. (m³/dia)
(espelho): Área do espelho da água
v: Evaporação Média. (mm/ano)
Vazão de saída (Qefl)
efl = (Q + Q (prec)) − (Q (per) + Qevap)
Onde: efl: Vazão de saída. (m³/dia)
Q: Caudal de entrada
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Q (prec): Precipitação. (m³/dia)
evap: Evaporação. (m³/dia)
Q (per): Perdas por percolação (m³/dia)
Vazão média Efluente (Qm.efl)
efl = (Q + Q (prec)) − (Q (per) + evap)
Onde: efl: Vazão média. (m³/dia)
Q: Caudal de entrada (m³/dia)
Q (prec): Precipitação. (m³/dia)
evap: Evaporação. (m³/dia)
Q (per): Perdas por percolação (m³/dia)
Verificar a remoção de C. Fecais para R recalculada.
Taxa mortalidade de coliformes fecais Kbf
bf = 0.84 * 1.07^(20)
Onde: bf: Taxa de mortalidade de coliformes. (dias-1)
T: temperatura ℃
Indicador de coliformes fecais Np/No
Onde: Np/No: Indicador de coliformes fecais.
bf: Taxa de mortalidade de coliformes. (dias-1)
: Tempo de retenção recalculado. (dias-1)
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Huambo
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Eficiência Remoção Coliformes Fecais (ή)
Onde: ή: Eficiência de remoção. %
Razão de percolação
Onde: RP: Razão de percolação. (mm/d)
Q(per): Perdas por percolação. (m³/dia)
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Resultados das análises físicas, químicas e biológicas
A Tabela 1, mostra o estudo realizado em cinco amostras obtidas das águas
residuárias da área de pesquisa. Observa-se que foram atingidas médias de sólidos
suspensos totais de 122,8 mg/L, sólidos voláteis de 53,4 mg/L, temperatura de 24,5C e
turbidez de 62,4 UTN. Esses valores são inferiores aos valores máximos permitidos de
acordo com a NC 27-2012 para descarga em rios e reservatórios.
Tabela 2. Análise física de águas residuais
Características físicas
Número de amostras
1
2
3
4
5
Total de sólidos suspensos (mg/L)
100
98
130
160
126
Sólidos voláteis (mg/L)
43
55
63
40
66
Sólidos fixos (mg/L)
96
88
108
103
91
Temperatura (ºC)
24,6
25
21,3
24
28
Turbidez (UTN)
68
70
56
63
55
Cor (UPC)
53
57
60
54
62
*PM: Média das amostras.
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Nos resultados químicos e biológicos da Tabela 3, não foram encontrados níveis
significativos de toxicidade. Observa-se que durante o período de amostragem das
análises químicas o pH foi classificado como ligeiramente básico, o Nitrito atingiu
valores médios de 4,44 mg/L. Enquanto DBO e DQO obtiveram valores de 39,2 mg/L e
153,4 mg/L, respectivamente. Estes últimos são classificados como fracos de acordo com
a composição típica de águas residuais urbanas proposta por Allende (2000) e são
inferiores pelo máximo permitido de acordo com a NC 27-2012.
Tabela 3. Análises químicas e biológicas de águas residuais
de
amostras
Química
Biológico
Inorgânico
Orgânico
IM*
ph
Nitrito
Sulfato
POD
BACALHAU
CT*
CTT*
mg/L
mg/L
mg/L
mg/L
NMP/100Ml
NMP / 100mL
1
7.32
0,9
25,03
42
159
6.30*106
7.30*105
2
7.36
0,034
37,78
23
128
3.50*106
2.56*106
3
8.05
0,91
34,65
29
163
5.40*106
2.40*106
4
8.35
0,067
21,12
31
146
2.30*106
7.90*106
5
7.86
0,32
43,82
43
171
8.70*106
1.34*106
Média
7,788
0,4462
32,48
33,6
153,4
5.24*106
1.56*106
CT* Coliformes totais, CTT* Coliformes termotolerantes, IM*Indicadores
microbiológicos.
Os resultados dos coliformes totais e coliformes termotolerantes atingiram valores
médios de 5,24*106 NMP/100mL e 1,56*106 NMP/100mL, detendo a categoria de fortes
de acordo com a composição típica de águas residuais urbanas proposta por Allende
(2000) e são superiores pelo máximo permitido da NC 27-2012.
Desenho do sistema de tratamento
Tabela 4. Desenho baseado no método GLOYNA.
Dados gerais
Cálculos
DENOMINAÇÃO
QUANT
UM
DENOMINAÇÃO
QUANT
UM
População
1560
Quarto
Fluxo de entrada
(Qinfl)
193
m3/dia
Dotação
130
L/quarto/dia
Carga Orgânica (i)
52
Kg/dia
Contribuição para a
saúde (APSA)
124
L/quarto/dia
Influenciador BOD5
(Lo)
271
mg/l
Contribuição do DBO
per capita5
33.6
g/habitante/dia
DBO5 último (segunda-
feira)
316
mg/l
Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa no bairro Casseque, município de
Huambo
66
Temperatura média da
água (TH2O)
20
°C
Volume da Lagoa (V)
7274
m3
Preparação do baile de
formatura (LL)
1129
mm/ano
Adotando um prof. (h)
de
2.0
m
Evaporação média
(Ev)
1897
mm/ano
Área de Superfície de
Laguna (As).
3637
m2
Permeabilidade do
solo (P)
1E-10
mm/s
Área de Superfície de
Laguna (As).
0.4
Tem
Distância até NF (Lb)
0.4
m
Cargo Org. Superf. (i)
131
kg/ha/dia
Profundidade em NF
(hb)
11.5
m
Tempo ® de retenção
38
Dias
Largura do Fondon
(Af)
49
m
Dimensões de construção
Ao nível da água
Redimensionando o Fundo
Largo
85
m
Largura Profundidade
(Af) (adotado)
73
m
Longas
122
m
Profundidade longa
(Lf)
110
m
Altura da água (h)
2.0
m
Área de Fundo
Superior (Asf)
7994
m2
Pendente de inclinação
interna (m)
3
Volume da Lagoa
18271
m3
Área do espelho
d'água
10328
m2
Tempo Aposentado
(Recalcular)
90
Dias
Área de pouso
Comportamento hidráulico
Borda livre (BL)
1
m
DBO5 do efluente (Lp)
8
mg/l
Altura total (H)
3
m
Taxa de degradação
(kt)
0.35
Dias-1
Inclinação da encosta
externa (m1)
2
01:02
Efic em BOD Remoc.5
()
97
%
Largura do aterro
3
m
O dimensionamento está correto
Altura do aterro
1
m
Balanço Hídrico
Distância do aterro à
cerca
5
m
Precipitação (Qprec)
36
m3/dia
Largura total
111
m
Perdas por percolação
(Qper)
0.005
m3/dia
Comprimento total
148
m
Evaporação (Qevap)
42.9
m3/dia
Área Total
16373
m2
Fluxo de saída (Qefl)
186
m3/dia
1.6
ha
Caudal medio Efl
(Qm.efl)
190
m3/dia
Verificar a remoção de C. Fecal para R
recalc.
Taxa mortalidade de
colis fec Kbf
0.84
dias-1
Indicador de colis fecal
Np/No
0.0131
Efic. Remoc. Colis
Fecal (ή)
98.69
%
Ásstery Journal Vol. 1 Num.1
pp. 50-69
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Desenho do sistema de tratamento software AutoCAD
Figura 2. Secção transversal
Figura 3. Registos
CONCLUSÃO
A análise das águas residuais do bairro Casseque revelou que elas são classificadas
como fracas, o que indica a necessidade de um tratamento adequado para garantir sua
qualidade e minimizar impactos ambientais.
O projeto da lagoa de estabilização, com um volume de 7274 e eficiência na
remoção de DBO de 97%, demonstra uma solução eficaz para o tratamento de efluentes,
contribuindo significativamente para a proteção dos recursos hídricos da região.
Desenho hidráulico de uma lagoa de estabilização facultativa no bairro Casseque, município de
Huambo
68
Os modelos matemáticos aplicados mostraram alta eficiência na remoção de
sólidos solúveis totais, desnitrificação e fósforo, evidenciando a viabilidade cnica do
sistema proposto e seu potencial para melhorar a qualidade da água tratada, alinhando-se
às práticas sustentáveis e às exigências ambientais atuais.
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